O tratamento de cicatrizes em Moema comigo tem como foco o diagnóstico preciso, combinação de técnicas e acompanhamento por etapas. Na primeira consulta, entendo como a cicatriz surgiu, há quanto tempo existe, se dói, coça ou limita movimento, e o quanto incomoda na rotina. 

A partir disso, proponho um plano realista: explico o que cada método pode oferecer, o número provável de sessões, o intervalo entre elas e os cuidados de pré e pós. Meu objetivo é melhorar textura, relevo e cor, reduzir sintomas e tornar a cicatriz menos chamativa, sem promessas irreais.

O que são cicatrizes?

Cicatrizes são o resultado natural da cicatrização. Depois de uma lesão (acne, corte, cirurgia, queimadura), o corpo precisa fechar a pele e reorganizar o colágeno. Nem sempre esse processo acontece de forma uniforme; por isso, surgem depressões (atróficas), elevações (hipertróficas/queloides), alterações de cor (vermelho ou escuro) e, em alguns casos, retrações que limitam movimento. 

Fatores como local (peito, ombros e dorso têm mais tensão), fototipo, idade da cicatriz, infecção no processo de cura e tensão nos pontos influenciam o resultado final.

Eu trabalho com a ideia de “camadas”: avalio superfície (textura), volume (falta ou excesso), cor (vermelho ou acastanhado) e contratilidade. O plano combina técnicas que atuam em cada camada, no momento certo.

Cicatrizes de acne, cirúrgicas e traumáticas

  • Cicatrizes de acne: geralmente atróficas (em “furinho”), com subtipos clássicos: ice-pick (estreitas e profundas), boxcar (bordas definidas) e rolling (ondulações por fibroses sob a pele). Algumas podem ser hipertróficas quando houve inflamação intensa.
  • Cicatrizes cirúrgicas: variam conforme o local, a tensão da sutura e o pós-operatório. Podem ficar vermelhas por meses e, em áreas de tensão, evoluir para hipertróficas.
  • Cicatrizes traumáticas: incluem cortes, escoriações, queimaduras e lacerações. Além de relevo e cor, podem deixar retrações que dificultam movimento, principalmente após queimaduras.

Cada uma pede uma combinação diferente: por exemplo, cicatriz de acne rolling costuma responder a subcisão + laser fracionado; já uma cicatriz cirúrgica vermelha recente responde bem a laser vascular e silicone.

Diferença entre cicatriz hipertrófica e queloide

As duas são elevadas, mas não são iguais:

  • Hipertrófica: cresce dentro dos limites do corte, costuma aparecer semanas após a lesão e tende a amelhorar com o tempo. Responde bem a silicone, taping, laser vascular e infiltração intralesional quando indicada.
  • Queloide: ultrapassa os limites da lesão original, pode coçar ou doer, e tem maior chance de recidiva. O tratamento envolve infiltrações (corticoide ± 5-FU), laser para vermelhidão e, em casos selecionados, cirurgia com adjuvantes (pressão, silicone, radioterapia superficial sob protocolo). A decisão é individual e eu discuto riscos e chances de retorno.
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Abordagem diagnóstica

O diagnóstico começa com história detalhada e exame clínico. Pergunto quando a cicatriz surgiu, como foi o pós, se houve infecção, quais tratamentos já tentou e quais são as prioridades (textura, elevação, cor, dor, coceira). Registro com fotos padrão para comparação objetiva nas revisões.

Avaliação clínica e tipo de cicatriz

Eu classifico por morfologia (atrófica, hipertrófica, queloide, mista), cor (eritema/hiperpigmentação), elasticidade e aderência aos planos profundos. Em cicatrizes de acne, diferencio ice-pick, boxcar e rolling; na cirurgia/trauma, avalio largura, bordas, tensão local e sinais inflamatórios. Em áreas de dobra ou movimento (ombro, joelho), considero o impacto funcional.

Quando necessário, uso escalas como Vancouver Scar Scale para seguir vascularidade, pigmentação, pliabilidade e altura. Em cicatrizes complexas, posso solicitar ultrassom cutâneo para mapear túneis ou aderências antes de intervir.

Indicação do melhor protocolo para cada caso

A escolha do protocolo depende do alvo principal:

  • Textura e depressões (atróficas): subcisão para soltar fibroses, laser fracionado (ablativo ou não), RF microagulhada, TCA CROSS para ice-pick, e, quando necessário, preenchimento de suporte.
  • Elevação e sintomas (hipertrófica/queloide): infiltrações (corticoide ± 5-FU), laser vascular para vermelhidão, silicone e pressão. Cirurgia é reservada e, se indicada, acompanha adjuvância.
  • Cor (vermelho/escuro): laser vascular e, para hiperpigmentação, clareadores e peelings suaves com fotoproteção rigorosa.
  • Retrações: laser ablativo ou RF microagulhada em plano certo, massagem, fisioterapia e, às vezes, liberação cirúrgica.

Eu explico o porquê de cada etapa, o número esperado de sessões e o intervalo entre elas. Em geral, planejo séries (3 a 6 sessões) com reavaliações.

Tratamentos disponíveis

Trato cicatrizes com combinações. Não existe uma única tecnologia que resolva tudo. O melhor resultado vem de somar técnicas que atuam em profundidades diferentes e respeitam o tempo biológico de remodelação.

Laser e tecnologias avançadas

  • Laser fracionado ablativo (CO₂/Er:YAG): cria microcolunas de ablação que estimulam neocolagênese e nivelam a superfície. Útil em cicatrizes de acne, cirúrgicas espessas ou queimaduras selecionadas. Exige pós cuidadoso e fotoproteção rígida.
  • Laser fracionado não ablativo (1540/1550 nm): estímulo de colágeno com downtime mais curto; bom para textura e linhas finas em cicatrizes atróficas.
  • Laser vascular (ex.: PDL, Nd:YAG em parâmetros vasculares) e IPL: reduzem vermelhidão e vasos de cicatrizes recentes ou hipertróficas, diminuindo coceira e acelerando a maturação.
  • RF microagulhada: combina microagulhas com energia para estimular colágeno em planos controlados, melhorando flacidez perilesional e textura. Útil em rolling, boxcar rasas e em algumas cicatrizes cirúrgicas.
  • Ultrassom microfocado: menos usado para cicatriz de acne, pode ter lugar em firmeza de pele adjacente em casos pontuais; avalio custo-benefício individual.

Eu ajusto parâmetros conforme fototipo e explico o downtime esperado. Em fototipos altos, prefiro protocolos conservadores e preparo a pele para reduzir risco de hiperpigmentação pós-inflamatória.

Bioestimuladores e infiltrações

  • Subcisão: procedimento com cânula ou agulha para romper fibroses que puxam a pele para baixo (rolling). Muitas vezes, combino com preenchimento de suporte (microalíquotas de ácido hialurônico) para manter o plano solto enquanto cicatriza.
  • Bioestimuladores (em casos selecionados): aplicados de forma estratégica para induzir colágeno e melhorar qualidade do tecido ao redor de cicatrizes atróficas difusas. Explico indicações e limites.
  • Infiltração intralesional (corticoide ± 5-FU): base do tratamento de hipertróficas e queloides. Reduz altura, coceira e dor. Programo séries com intervalos e monitoro efeitos.
  • Toxina botulínica perioperatória: em cicatrizes cirúrgicas recentes com tensão elevada, a modulação temporária da tração muscular pode ajudar a melhorar o resultado; uso em contextos específicos.[PRP (plasma rico em plaquetas): pode atuar como adjuvante em protocolos de regeneração; seleciono conforme perfil e expectativa.

Peelings e protocolos combinados

  • TCA CROSS: aplicação focal de TCA em alta concentração dentro de cicatrizes ice-pick e boxcar estreitas. Melhora profundidade com risco controlado quando executado no plano certo.
  • Peelings químicos de baixa a média potência (glicólico, mandélico, salicílico): uniformizam textura e cor, preparando a pele para lasers ou RF e ajudando na manutenção.
  • Microagulhamento médico: cria microcanais e estimula colágeno; funciona como complemento em cicatrizes atróficas leves a moderadas, muitas vezes associado a drug delivery.
  • Silicone (gel/placa) e pressão: base do manejo de hipertróficas e queloides, especialmente em pós-cirúrgico. Ensinei como usar e por quanto tempo.
  • Massagem e taping: ajudam a organizar fibras e reduzir tensão em cicatrizes recentes; oriento técnica e frequência.

A combinação típica para acne atrófica pode envolver subcisão + laser fracionado + TCA CROSS em ice-pick específicos. Para hipertróficas, infiltração + laser vascular + silicone. Ajusto a sequência para reduzir downtime acumulado e manter a pele em condições de receber as sessões seguintes.

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Tratamento de cicatrizes na clínica do Dr. João Bueno - Moema - São Paulo

FAQ - Perguntas Frequentes

Podem melhorar, mas cada uma melhora até certo ponto. Cicatrizes atróficas costumam responder bem a séries de subcisão/laser/RF. Hipertróficas e queloides requerem manutenção e têm risco de recidiva; ainda assim, é possível reduzir altura, vermelhidão e sintomas. Eu alinho expectativas já na primeira consulta e mostro caminhos possíveis.

A cicatriz de acne costuma ser atrófica (depressão). O tratamento mira soltar fibroses e estimular colágeno. Queloide é elevada, ultrapassa a área original, pode coçar e doer, e precisa de infiltrações, silicone e, às vezes, laser. São abordagens diferentes, com metas diferentes.

O colágeno que estimulamos fica, mas a pele continua envelhecendo e mudando. Em atróficas, após a série principal, costumo propor revisões anuais. Em hipertróficas/queloides, pode haver manutenção periódica com silicone e infiltrações espaçadas. “Definitivo” não é um bom termo; prefiro falar em ganhos sustentáveis com manutenção adequada.

Varia conforme tipo e extensão. Para acne atrófica, planejo de 3 a 6 sessões de tecnologias e/ou subcisão, com intervalos de 4–8 semanas. Hipertróficas/queloides pedem séries de infiltração (geralmente mensais no início) e laser vascular a cada 4–6 semanas. Eu reviso a resposta a cada etapa e ajusto o número total.

Sim. Mesmo antigas, respondem a estímulo e liberação de fibroses. O ganho costuma ser gradual e exige séries. Cicatrizes recentes permitem prevenção melhor de elevação com silicone, taping e, se necessário, laser vascular precoce. Para antigas, foco em textura, altura e cor.

Eu planejo anestesia local (tópica ou injetável) conforme o procedimento. Subcisão pede anestesia específica; laser pode ser feito com creme anestésico e técnicas de conforto. O objetivo é manter a sessão tolerável. No pós, oriento compressa fria, analgésico simples e cuidados com limpeza e hidratação.

Laser ajuda muito, mas não em tudo sozinho. Para atróficas, fracionados são ótimos; para vermelhas, o vascular é chave. Queloides respondem melhor a infiltrações e silicone, com laser como adjuvante para cor e sintomas. Por isso, a combinação costuma ser superior.

Sim. Peço fotoproteção rigorosa por ao menos 2–4 semanas antes e depois de energias; suspensão de ácidos irritantes poucos dias antes de peelings/laser; avaliação de medicações que aumentem sangramento quando faço subcisão; e controle de acne ativa antes de tratar as marcas. Em quem usa isotretinoína, eu avalio o tempo e o tipo de procedimento mais seguro. Tudo isso entra no seu roteiro por escrito.