Atendo hidradenite supurativa em Moema (São Paulo) com um plano estruturado e realista. Na primeira consulta, eu avalio história, padrão de lesões e impacto na rotina. A partir disso, defino objetivos por etapas: reduzir dor e inflamação, diminuir drenagem e odor, prevenir novas lesões e planejar cicatrizes quando necessário. 

Uso medicações tópicas e orais, terapias biológicas em casos indicados e, quando é o melhor caminho, tratamentos cirúrgicos. Cada decisão é guiada pelo estágio da doença e pelo que cabe na sua vida.

O que é hidradenite supurativa?

A hidradenite supurativa (HS) é uma doença inflamatória crônica da pele que acomete áreas com glândulas apócrinas e atrito, como axilas, virilha, mamas e glúteos. O processo começa por inflamação folicular; com o tempo, surgem nódulos dolorosos, abscessos, túneis (fístulas) e cicatrizes

A doença evolui em crises e períodos de melhora parcial. Não é infecção simples de “furúnculo repetido”, embora possa sobrepor infecções bacterianas. O tratamento exige consistência e acompanhamento para reduzir recorrências e controlar a dor.

Características e sintomas

Os sintomas que avalio com mais atenção são: nódulos dolorosos recorrentes nas mesmas áreas, abscessos com flutuação, drenagem de conteúdo espesso ou serossanguinolento, mau odor quando há colonização bacteriana, comichão ou queimação antes da crise e cicatrizes que retraem a pele. 

Em estágios avançados, os túneis conectam lesões antigas a novas, gerando secreção crônica. Muitas pessoas relatam piora com calor, suor, fricção e ciclo menstrual.

Impacto na qualidade de vida

A HS não limita apenas pela dor. A drenagem e o odor interferem no trabalho, na atividade física e nas roupas escolhidas. O receio de uma crise no meio do dia causa ansiedade. Em alguns casos, a dor reduz o sono e a produtividade. 

Eu levo tudo isso para o centro do plano: além de controlar a inflamação, organizo medidas práticas para o cotidiano, com curativos discretos, orientação de tecidos e rotina de banho, estratégia para treinos e manejo de eventuais infecções. A comunicação clara reduz o improviso durante as crises.

Agende sua consulta com dermatologista

Principais manifestações

A HS tem padrões que ajudam a escolher o tratamento. Eu documento com fotos padrão e, quando necessário, uso escores de atividade para acompanhar.

Nódulos dolorosos

Os nódulos são firmes, profundos e dolorosos ao toque. Muitas vezes começam como uma “bola interna” que esquenta a pele. Quando abordo essa fase, utilizo anti-inflamatórios locais e infiltrações intralesionais em casos selecionados para reduzir o ciclo da crise. Explico como reconhecer os sinais precoces para agir rápido e encurtar a duração.

Fístulas e secreção crônica

Com repetição de crises, formam-se túneis sob a pele que comunicam pontos distintos. Eles são responsáveis por drenagem persistente, odor e manchas nas roupas. Aqui, além do controle inflamatório, discuto opções cirúrgicas como deroofing (destelhamento) e excisões direcionadas. Curativos absorventes e antissépticos adequados reduzem desconforto e complicações.

Regiões mais afetadas: axilas, virilha, mamas e glúteos

As áreas mais comuns são axilas e virilha, mas vejo também sulco mamário, nádegas e região perianal. Locais com atrito, umidade e oclusão sofrem mais. Ajusto o plano para cada área, porque o pós e o tipo de curativo mudam conforme o lugar. Em região perianal, avalio sintomas gastrointestinais e, se necessário, integro investigação para doença de Crohn.

Abordagem diagnóstica

O diagnóstico da HS é clínico: lesões típicas, recorrência e localização característica. Eu registro frequência de crises, tempo de evolução, tratamentos prévios e impacto na rotina. Em seguida, estagio a doença para guiar as escolhas.

Avaliação clínica minuciosa

Eu classifico pela escala de Hurley (I: nódulos/abscessos isolados; II: recidivas com túneis e cicatrizes em múltiplas áreas separadas; III: comprometimento difuso com múltiplos túneis interconectados). Também posso usar o IHS4 (escore que soma nódulos, abscessos e fístulas) para seguir a atividade ao longo das consultas. 

Faço diagnóstico diferencial com furunculose simples, foliculite, doença de Crohn cutânea e hidradenite por contato (isso não existe). Em casos de odor forte e febre, eu avalio infecção secundária e penso em cultura quando há falha de esquemas.

Exames complementares quando necessários

Não há exame único que “confirme” HS. Solicito ultrassom de partes moles quando preciso mapear a extensão de túneis antes de cirurgia. Peço cultura de secreção ao suspeitar de infecção bacteriana persistente ou resistência. 

Em terapia sistêmica, acompanho hemograma, função hepática/renal e outros exames conforme a medicação. Se há perda de peso, dor abdominal, diarreia ou fissuras perianais, avalio doença inflamatória intestinal em conjunto com gastroenterologia.

Tratamentos disponíveis

Eu organizo o tratamento em camadas: hábitos e cuidados locais, tópicos e orais, biológicos e cirurgia quando indicado. Explico tempo de resposta e o que esperar em cada fase. O plano costuma incluir prevenção de atrito, banho morno e rápido, sabonetes suaves no dia a dia e antissépticos específicos por ciclos.

Medicações tópicas e orais

Cuidados e tópicos

Antissépticos (ex.: clorexidina) em ciclos: ajudam a reduzir carga bacteriana cutânea sem uso contínuo indiscriminado.

Clindamicina 1% tópica: útil em lesões superficiais e manutenção em Hurley I–II.

Compressa morna nas crises para conforto e esvaziamento natural controlado, evitando pressão excessiva.

Infiltração intralesional de corticoide em nódulos muito dolorosos, quando indicado, para encurtar a crise.

Antibióticos orais

Tetraciclinas (doxiciclina/limeciclina) por períodos definidos para reduzir inflamação em Hurley I–II.

Clindamicina + rifampicina em regime combinado por semanas em quadros com túneis e recorrência. Acompanho possíveis efeitos e interações.

Moduladores e adjuvantes

  • Antiandrogênicos (em mulheres selecionadas) quando há padrão hormonal; avalio riscos e plano reprodutivo.
  • Metformina pode ajudar em perfis com resistência insulínica.
  • Zinco em dose adequada pode ter papel coadjuvante, com orientação de uso e tolerância.
  • Retinoides: acitretina pode ser opção em perfis selecionados; isotretinoína tem benefício limitado na HS e avalio caso a caso.

Analgesia e manejo de infecção

  • Estruturo um plano de dor seguro para crises, evitando automedicação desorganizada.
  • Em sinais de celulite ou febre, conduzo antibioticoterapia direcionada e reavalio em curto prazo.

Mudanças de hábito

  • Cessar tabagismo e reduzir peso quando necessário têm impacto clínico. Eu proponho metas factíveis e, se preciso, integro com equipe multiprofissional.
  • Roupas com pouco atrito (algodão, sem costuras agressivas), evitar barbear rente em áreas críticas e testar desodorantes sem álcool ajudam no dia a dia.

Terapias biológicas

Nos casos moderados a graves ou com falha às linhas iniciais, discuto biológicos.

  • Adalimumabe é uma opção estabelecida para HS, com esquema de ataque e manutenção.
  • Outras moléculas (ex.: anti-IL) podem ser consideradas conforme perfil e disponibilidade.

Antes de iniciar, faço rastreamento de infecções (como tuberculose latente), vacinação quando aplicável e explico monitorização. O objetivo é reduzir atividade, drenagem e número de crises, melhorando dor e função.

Cirurgia para casos avançados

A cirurgia tem papel claro quando existem túneis persistentes, cicatrizes que retraem e recorrências no mesmo trajeto. Eu discuto opções:

  • Deroofing (destelhamento): abre o teto dos túneis, permite limpeza e cicatrização por segunda intenção, com bom controle local.
  • Excisões localizadas ou amplas, conforme mapeamento clínico/ultrassom, com fechamento direto, enxertia ou cicatrização dirigida.
  • Laser CO₂ e laser Nd:YAG (depilação) podem ajudar a reduzir recorrência em áreas com folículos ativos.
    O planejamento inclui curativos, pós-operatório e ajustes de atividade física. Cirurgia não substitui o controle clínico; ela remove focos crônicos que mantêm a inflamação.
Agende sua consulta com dermatologista em Moema

Dermatologia na clínica do Dr. João Bueno – Moema – São Paulo

FAQ - Perguntas Frequentes

Falamos em controle, não em “cura definitiva”. Com plano contínuo, muitas pessoas reduzem crises, drenagem e dor, retomando atividades. Em casos moderados a graves, biológicos e cirurgia direcionada ampliam o controle. O acompanhamento regular mantém a doença mais previsível.

Vejo piora com atrito, calor, suor, roupas apertadas, tabagismo, ganho de peso e oscilações hormonais. Certos produtos (desodorantes com álcool, depilatórios agressivos) irritam áreas sensíveis. Na consulta, mapeio gatilhos e proponho trocas viáveis, sem proibições exageradas.

Existe predisposição familiar em parte dos pacientes. Ter alguém na família com HS aumenta o risco, mas não determina que você terá a doença. O foco é diagnosticar cedo e tratar para evitar progressão e cicatrizes extensas.

Sim. Sobrepeso aumenta atrito e umidade nas dobras, além de se associar a inflamação sistêmica. Reduzir peso quando há excesso tende a diminuir crises e melhorar resposta ao tratamento. Eu organizo metas factíveis e, se necessário, envolvo nutrição/atividade física.

Existe, e tem papel importante quando há túneis e cicatrizes. Técnicas como deroofing e excisões controlam focos crônicos. O melhor resultado surge quando a cirurgia se soma ao controle clínico e a hábitos que reduzam atrito e inflamação.

Piora. O tabaco se associa a mais crises, pior cicatrização e resposta inferior a tratamentos. Eu ofereço apoio para cessação, inclusive com encaminhamento quando necessário. Cada passo nessa direção já melhora o quadro.

A HS é mais frequente em mulheres, e muitas relatam piora com variações hormonais. Em perfis selecionados, antiandrogênicos ou ajustes do método contraceptivo podem fazer parte do plano. A decisão é individual e integrada com ginecologia quando preciso.

Três frentes ajudam:

  1. Rotina: banho morno, antissépticos em ciclos, hidratante leve, roupas de algodão, curativos discretos nas áreas de atrito.
  2. Tratamento contínuo: manutenção com tópicos, orais ou biológicos conforme estágio.
  3. Gatilhos: cessar tabagismo, manejar peso, reduzir atrito e planejar atividade física com roupas adequadas.

Com consistência, a frequência e a intensidade das crises tendem a diminuir.